Carnatal é Natal, Carnatal é viver, Carnatal é amor e prazer

Qual dos dois?
Pelos idos da década de 90. Sem ter o que fazer. Resolvemos, eu, Renato e Bob ir ao Carnatal. Só para fuleirar. Criamos o bloco Taras, que também era composto por Marcelo Barreto. Mas ele era café com leite. Como todo bloco, tínhamos nosso abadá, camisas lindas que nossas mães na primeira oportunidade jogaram fora.
Para agüentar as horas que passaríamos sofrendo bulling sonoro, a única solução foi ficarmos levemente alterados a base de aditivos quimicos. E para tal resolvemos fazer um carrinho para levar uma caixa de isopor que eu tinha em casa e que comportava umas quatro caixas de cerveja. Fomos na Galvão Mesquita, compramos os tubos e fomos ao laboratório de Engenharia Mecânica da UFRN confeccionar o veículo. Coube a Renato, o único apto a tal serviço, a tarefa. Eu ajudava segurando os tubos e fechando os olhos para não ficar cego. O carrinho ficou supimpa com duas rodas fixas a frente e uma móvel atrás, para as curvas. Ainda havia um local para uma bateria onde uma sirene seria acoplada.
Chegando ao dito evento religioso, ao botar o carro na avenida Miguel Castro, um cidadão perguntou quanto era a cerveja. Não gostou de ouvir que custava R$ 5.00, já que mais adiante era possível comprar três pelo mesmo preço. Saiu soltando cobras e lagartos e cuspindo abelhas africanas. Foda-se. Uma pena que a bateria não durou muito e ficamos sem a sirene, mas ainda conseguimos assustar muitos desavisados que passavam a frente do carro e não suspeitavam do estrondo no pé do ouvido sem aviso. O carrinho funcionou que foi uma maravilha.
Chegando ao ponto, cruzamento da Miguel Castro com Romualdo Galvão, levantamos acampamento e começamos o serviço. Muitos olhavam desconfiados nosso abadá e chegamos a conjecturar que seríamos presos por pornografia. Mas isso não aconteceu. Sempre saíamos em dupla para aditivar, a mais, o organismo e dar um passeio para observar as tetéias, as Chupa-Cabras e os Ets de Varginha. Num desses passeios deixamos Marcelo e Renata, sua namorada a época, tomando “de conta” do carrinho. Quando voltamos ele estava querendo virar homem, brabo que só. Dizendo que quando o Chiclete com Banana passou, arrastando toda sorte de vagabundos, bêbados, baderneiros e chicleteiros da cidade, o carrinho quase foi junto. A solução foi Marcelo e a namorada subirem no carrinho. Bem, foi testada a resistência. E se com quatro caixas de cerveja, mais duas pessoas em cima, ele não quebrou... Estava aprovado até pra beber no Iraque.
Isso na perna dela é a calcinha?
Entre uma cerveja e outra, conversando com Renato observamos Bob “se passando” nas cordas de um bloco que já estava no fim. Ele sacudia com força o que fazia os cordeiros irem juntos. “Bob, sai daí, tu vai levar uma porrada”. “Porra nenhuma, já viu o tamanho desses cordeiros?”, retrucou Bob. Beleza, depois não diga que não avisamos. Continuamos o papo e lá pras tantas ao virar novamente pra rua nos deparamos com o atleta de Cristo, Bob, estirado no meio fio sendo banhado pela lama formada por todo tipo de líquidos que formavam o cheiroso micro-rio. Ainda tivemos tempo de ver o trem que passou por sobre ele, retornando ao centro do bloco. Não foi falta de aviso. No fim estávamos tão encharcados que estávamos vendendo três cervejas por R$ 5.00, como queria o tiozão.
Também teve uma história duma loirinha paulista caindo sobre um mendigo, que estava dormindo enrolado em jornais e acordou com aquele presente olhando pro céu e agradecendo a Deus. E outra, de outro dia, que Bob e Renato estavam pescando piranhas no meio dos blocos com uma vara de pescar que na ponta tinha um abridor de garrafa em forma de manjuba. Mas essas ficam pra outra vez.

2 - Opinaram nessa bagaça!
idiota
kkkk do caralho o texto! O carnatal é um verdadeiro self-service de doença venérea.
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