23/12/2011

Saudade da galega

Esperei uma semana para ligar, fiquei inquieto que nem criança quando espera um brinquedo ou adolescente quando está apaixonado. Na segunda-feira liguei. "Quer ir ao cinema?". Convite aceito, fui a UFRN pega-la. O filme? O romântico Bastardos Inglórios. Estava linda. De saia longa, cabelos soltos cacheados, sem falar nos olhos e no sotaque.

O filme muito bom. Pipoca e refrigerante como pede cinema. Eu na minha inocência, e talvez cavalheirismo demais, assisti o filme todo. Até onde sei ela gostou também. Na hora de ir embora, como era segunda-feira e ela tinha que voltar cedo, nem perguntei nada. Mas no meio do caminho veio a pergunta dela. "Quer tomar uma cerveja?". Era tudo que eu queria ouvir.

Rodamos mais de meia hora, sem lembrar que geralmente na segunda muitos bares fecham. Uma última tenativa em um lugar nada romântico: UTI do Caldo. Estava aberto. Pouquissimas pessoas. O velho caldo de ostra. Ela recusou. Tomamos algumas cervejas, conversamos amenidades a fim de nossas vidas. Várias coisas em comum, outras nem tanto. Ela sugeriu: "Vamos pedir uma música?". Pedir uma música era colocar uma cédula de R$ 1.00 numa jukebox. Cada um pediu uma.

Papo vai, papo vem. Aquele sorriso matador, eu tal qual um adolescente como citado acima, toco sua mão. Na verdade adolescente nenhum faz isso. São apressadinhos. Ok, em alguns momentos temos que ser mesmo. Mas primeiro foi a mão, depois os cabelos, um cheiro na nuca... Fomos embora.

Ainda permanecemos um bom tempo conversando no carro, já na casa dela. Pelo menos uma hora. Muito carinho. A verdade é que até hoje ainda penso, insistentemente, nela. E já faz mais de uma ano que não a vejo. Melhor assim. Restam memórias: voz, cabelos, mãos... passeios, cinema, praia.

Dia desses me peguei sozinho na mesma UTI do Caldo, sozinho, tomando o mesmo caldo de ostra. E uma cerveja.

0 - Opinaram nessa bagaça!

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